Reunião Espírita não é festa. É encontro de almas em oportunidade de despertamento e qualificação. Memória do movimento Espírita gaúcho 2005

03/07/2018 16:31

Reunião Espírita não é festa.                    É encontro de almas em oportunidade de despertamento e qualificação. Memória do movimento Espírita gaúcho 2005

   

“E ele lhes disse: Por que me procuráveis? não sabíeis que me con­vém tratar dos negócios de meu Pai?“ — (LUCAS, capítulo 2, versículo 49.)


Perante todo esse momento especial de transição planetária nós os Espíritas o vivenciamos sob uma grande responsabilidade, pois nenhum de nós renasceu em ocasião tão importante apenas por nós, já nos alertava o codificador na Obra O Livro dos Médiuns;

 

“Este dom de Deus não é concedido ao médium para o seu deleite e, ainda menos, para satisfazer suas ambições, mas para o fim da sua melhora espiritual  e para dar a conhecer aos homens a verdade.” 

(LM XVII – DA FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS – Perda e suspensão da mediunidade)

 

E sim sob a perspectiva de colaboração de que uma eficiente vulgarização dos  ensinos  de  Jesus  alcançando,  proveitosamente,  os  trabalhadores  da  hora undécima. Bem como despertando outros que permaneciam na retaguarda e renascem em oportunidades derradeiras de transformação moral, muitos falhando como se observa todos os dias.

Necessário se torna que as Instituições Espíritas ativas, equilibradas e seguras em suas aspirações, fiéis a Jesus e as diretrizes doutrinárias ofereçam subsídios doutrinários ao raciocínio da fé.

É preciso atenção para que nossos agrupamentos não detenham apenas o rótulo de “Espíritas” ao se distanciar das bases, deixando de preservar o conteúdo inalienável do Consolador Prometido como obra da regeneração de nosso orbe, não oferecendo com tal proceder aos seus frequentadores o conteúdo e o exemplo consolador do Evangelho de Jesus dos Postulados da Doutrina Espírita.

 

Manoel Philomeno de Miranda na Obra Perturbações Espírituais pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, nos Capítulos I, VII e XII, nos traz apontamentos graves e ao mesmo tempo o alerta para o cuidado na condução das Instituições Espíritas.

Cap I

''Atormentados pelas paixões servis, transformam os núcleos espíritas, que devem ser dedicados ao estudo, à oração, ao recolhimento dos sofredores, a santuário de co­munhão com o Mundo Espiritual superior, em clubes de futilidades, de divertimentos, de comentários desairosos, de convívio para o prazer e de lancharias comuns.”

''A soberba e o falso intelectualismo, a necessidade de variações de comportamento, vêm conduzindo expressivo número de adeptos da Revelação dos guias da Humani­dade; as propostas agressivas conforme a sua maneira de entender e alguns se atrevem a dar nova interpretação às obras da Codificação, num alucinado projeto de atualizar a Verdade, as reflexões do codificador inspirado pelo Senhor e vaso escolhido para a construção do mundo melhor.”

"Graças à comunicação virtual, divulgam-se acusa­ções sórdidas contra os servidores fiéis a Jesus, que não estão à cata de promoção pessoal nem de exibicionismo egoico, semeando espinhos pela senda que eles devem percorrer. Intimoratos, no entanto, esses discípulos da última hora, prosseguem inatingidos, ignorando o mal para somente construírem o bem.”

"Piorando o quadro, no entanto, as disputas por car­gos administrativos, a fim de imporem suas maneiras es­peciais de governança das consciências, em lamentáveis ressonâncias do passado, quando, em outros credos, foram impiedosos e dominadores, vem-se tornando trivial, sempre em olvido das diretrizes do Mestre ao afirmar: - Quem de­sejar ser o maior, seja o servidor de todos.”

"Muito tormento por exibição pessoal tem induzido os descontentes à criação de esquemas de trabalho que violam a simplicidade da mensagem de Jesus”

 Cap 7

“livros de conteúdos lamentáveis, mas ditos como psi­cografados com nomes venerandos que não correspondem à realidade, mas doados para auxiliar o trabalho do Bem.”

“Foram esquecidos os princípios essenciais que pre­conizam, sem o dinheiro importante para o auxílio aos sofredores, sem lembrar-se que Jesus não tinha uma pedra para repousar a cabeça e que Allan Kardec e os missio­nários do Bem dispunham apenas do necessário para a existência honorável.”

“As páginas sublimes dos ensinamentos foram trans­formadas em técnicas de cursos que competem com os das universidades, retirou-se a espontaneidade do fenômeno, e assinalou-o com grades de estudos que exaltam a personali­dade e deixam à margem, no esquecimento, a simplicidade do amor que ajuda, que consola, que desce ao abismo da miséria humana, a fim de erguer aqueles que lhe tombaram em quedas espetaculares.”

“Surgiram os campeonatos de exposição espírita, em que se fazia mais importante a forma do que o conteúdo, as teologias doutrinárias muito difíceis de ser assimiladas pe­las pessoas de cultura modesta, mas de coração ralado pelo sofrimento, de seleção de auditórios pomposos, nos quais os pobres têm constrangimento de entrar, ou são discretamen­te barrados ao chegarem.”

“Habilmente, esses perturbadores espirituais que co­nhecem as más inclinações que predominam em a natureza humana, identificadas pela psicologia analítica na condição de sombra, tornaram-se os direcionadores de muitas ins­tituições que se foram afastando do modelo - a Casa do Caminho de Simão Pedro entre Jerusalém e jope - ou das salas frequentadas por AlIan Kardec, quando era convidado a explicar o Espiritismo e a sua finalidade libertadora de vidas.”

“É uma doutrina de cultura, de conhecimento e de educação, mas buscou-se transformá-la em uma proposta acadêmica, somente acessível aos portadores de títulos uni­versitários e defensores de querelas inúteis”

Cap. 13

“Havia crescido muito, e, para poder ser conduzida com eficiência" lentamente foi quase transformada numa empresa moderna com os requisitos exigíveis pela tecnolo­gia avançada. Especialistas de comunicação e.de desenvolvi­mento foram contratados, e tudo .se desenvolvia dentro dos padrões das entidades que objetivam lucro e devem compe­tir no comércio das negociações.”

“Graças, portanto, ao excesso de modernização e de recursos específicos, houve a infiltração de pessoas ambi­ciosas, facilmente manipuláveis pelas Trevas, que se per­mitiram adentrar nos labores complexos da administração e provocaram divisionismos e exigências de comodidade, com total esquecimento dos princípios básicos da afetivida­de e da humildade.”

“Quando isso sucede, empurram-se Jesus e o amor portas a fora, mantendo-se os nomes, mas não o espírito de simplicidade e de abnegação, que nunca devem estar distan­tes do trabalho da solidariedade cristã.”

 

Reunião espírita, principalmente as de cunho de unificação, não deveria se tornar uma  festa  de objetivos materiais e sim albergar os que procuram o despertar  para a importancia da necessidade de preparo na vinha de Jesus.

 Sendo assim a todos os que, momentaneamente, detenham os cargos de direção não tem o direito de descurar do manuseio das obras doutrinárias, como com muita propriedade nos alerta o benfeitor Bezerra de Menezes:

É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.
Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades, devotamento ao bem comum e instrução do povo, em todas as direções, sobre as Verdades do espírito, imutáveis, eternas.
Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades.
Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos.
Em cada templo, o mais forte deve ser escudo para o mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido, e sempre e sempre seja o sofredor o mais protegido e o mais auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele que se fizer o servidor de todos, conforme a observação do Mentor Divino.
 (Bezerra de Menezes- médium Francisco Cândido Xavier,  Comunhão Espírita  Cristã, em 20-4-1963, Reformador - dez/1975)

O estudo, o reestudo proporcionando arquivos mentais mais acessíveis para qualificação efetiva, evita distorções que vem a se tornarem prejudicias em nossas atividades.

É exatamente nesse sentido que vamos nos fortalecendo e tomando posição consciente no movimento Espírita, não nos permitindo adentrar por desvios certamente sugeridos e intuidos nas armadilhas ardilosas das sombras.

 A prerrogativa da  Codificação  Kardequiana enquanto consolador prometido  não  define a toda e qualquer instituição Espírita outra dimensão espiritual que não aquela onde a mensagem de Jesus se torne espírito e verdade, não permitindo os convencionalismo perturbadores, alguns deles até respeitáveis nas instituições do mundo, naquelas que visam o lucro ou o vencer no mundo dos négócios, e é por isso que o Adepto Espírita sincero, jamais deverá ser comparado a Cliente ou o movimento Espírita ser comparado a Clientela.

Os  encontros  doutrinários,  no  Espiritismo,  sejam nas Instituições Espíritas, devem  rememorar  as  assembleias  simples, evocando a casa do Caminho, evitando-se todos e quaisquer estímulos que constitua uma negociação, para que “não sabíeis que me con­vém tratar dos negócios de meu Pai?“ — (LUCAS, capítulo 2, versículo 49.) seja tratado única e exclusivamente a pujança da Doutrina Espírita em seus celeiros redentores.

Em se tratando de Movimento Espírita Gaúcho, relembramos a estrutura que encontrávamos na FERGS, em atividades descritas no períodico Diálogo Espírita jan/fev 2005, que procurava efetivamente qualificar trabalhadores para trabalharem com segurança nas casas Espíritas em que atuavam.

Para isso oferecia-se Cursos de qualificação, contemplando a necessidade de preparo em praticamente todas as áreas, Mediunidade, Estudo, Infância e Juventude, Estudo do Evangelho, Cursos de Expositor Espírita, Atendimento fraterno e passes (hoje área do AECE) e também a Assistencia e Promoção social Espírita; conforme tabela a seguir:

 

Nestes cursos em que o interessado já vinha com o aval da Instituição Espírita que atuava, após o seu término, retornava com o cabedal necessário a iniciar na tarefa em que começou o seu preparo, muitos destes, se tornando multiplicadores dos conteúdos adquiridos, fomentando desse modo a união dos Espíritas na sua Região.

Quantos companheiros hoje atuantes de forma mais expressiva no movimento Espírita em solo gaúcho afirmam convictos de que os “cursos” na FERGS o fortaleceram, e por estarem embassados no conhecimento seguro das diretrizes doutrinárias hoje expressam no trabalho a sua gratidão.

Igualmente vamos encontrar relacionadas e descritas no Dialógo Espírita nr 21 e 22 de 1999, referência aos encontros regionais, que foram criados em 1995 e que tinha como prerrogativa o melhor atendimento das demandas do movimento espírita, visando a qualificação permanente do colaborador espírita.

 

No Periódico Diálogo Espírita de número 22 poderemos encontrar uma importante frase sobre a necessidade de qualificação, “qualificar significa aprimorar sem alterar a essência”. Aprimorá-lo a partir do conhecimento superior da Doutrina Espírita, bem como da imprescindível vivência dos seus ensinos básicos – que é do Cristo. Qualificar é prepara-lo de forma adequada para as nobres tarefas de divulgação espírita.

Esses encontros regionais envolvem representantes do conselho executivo, da comissão regional, das uniões, dirigentes e trabalhadores das casas federadas, integrantes da respectiva região.

Encontros regionais devem procurar tratar, de diretrizes doutrinárias, congregando a todos participantes, união em torno do ideal, não esquecendo que se, muitos atuam no movimento Espírita há um bom tempo, outros chegam com necessidades urgentes de qualificação e de entendimento sobre administração tanto dos centros Espíritas como nas respectivas áreas de atuação.

São nestas ocasiões, que se apresenta a oportunidade de aproximação da célula principal do Movimento organizado, a Casa Espírita:

Sem impor, porém ouvir esclarecendo;

Sem julgar, porém amparar auxiliando;

Sem exigir, mas oportunizando a qualificação;

Sem afastar, ao contrário congregar;

Sem elitismo, ao contrário, oportunizar a todos a participação.

Sem ameaças veladas, mas exercer sentimento de pura fraternidade conforme as lições inovildáves de Jesus.

 

Porém, não vamos entender que fidelidade doutrinária signifique estagnação rotineira no tempo nem tampouco reação sistemática a tecnologia em suas muito variadas expressões, enclausurando o movimento Espírita sob aspectos de os mais variados personalismos e vaidades.

Considerar sim, sob essas possibilidades a enfase na divulgação de massas, o apoio na divulgação do conteúdo espírita para que a mensagem de esclarecimento e consolo possa, da mesma maneira encontrar ressonancia nas mentes e nos corações, bem como dos que se utilizam dos aplicativos: como facebook, wha´ts app, messenger, instagram e outros aplicativos de interação social.

Não nos esquecendo sobretudo, que às casas espíritas acorrem verdadeiras multidões nos dois planos da vida, muitos deles na encarnação atual sem a mínima condição de retribuição, com os corações em desespero e padecimento, na ânsia de beber na fonte viva do amor, para que encontre a paz anelada, atraves do caminho seguro que a Doutrina Espírita proporciona.

É por isso mesmo que não nos cabe transformar nossos núcleos espíritas em enxertias descabidas e perigosas, mutilando ou desfigurando a Doutrina dos Espíritos.

Que nos cabe fazer? Novamente Manoel Philomeno de Miranda na Obra perturbações Espirituais nos chama a atenção, vigilância e fidelidade a Jesus e Kardec.

Cap 1.

''A hora exige atenção e cuidado, ante o número ex­pressivo de lobos disfarçados de ovelhas, com vozes mansas e venenos nas palavras, que aparentam humildade forçada e são possuidores de ira incontrolável.”

"Urge que os servidores do Evangelho restaurado reconsiderem condutas e voltem a trilhar a difícil estrada pedregosa por onde peregrinou o Mestre, sem as lisonjas e os destaques sociais, nem as honrarias humanas que muito agradam a inferioridade moral e pervertem os sentimentos que se deveriam ornar de simplicidade e renúncia.”

"A Instituição Espírita de hoje deve evocar a Casa do Caminho, onde Pedro, Tiago e João viveram os ensinamen­tos de Jesus e mantiveram a continuação do contato com o Mestre, a fim de que tivessem forças para o testemunho, o sublime holocausto da própria vida."

 

Preservar a pureza doutrinária é dever de todos quantos, conscientemente, encontram o caminho direcionado por Jesus para oficina de trabalho, faz–se mister impedir as incrustações aparentemente inofensivas, mas que, a seu turno poderão, no futuro, deteriorar, irreversivelmente, a missão do Consolador  Prometido.

— O Espiritismo é a Doutrina de Jesus, em Espírito e verdade, sem fórmulas nem ritos, sem aparências nem representantes, sem ministros. É a religião do amor e da verdade, na qual cada um é responsável pelos pró­prios atos, respondendo por eles, conforme o conheci­mento que tenha da Imortalidade, dos deveres.”

“Não se firma em enuncia­dos estranhos à Boa Nova e tudo quanto os Espíritos informaram ao Missionário Allan Kardec se encontra fundamentado nos Evangelhos.”

Petitinga – Livro Nos bastidores da Obsessão. Ditado pelo Espírito manhoel philomeno de miranda).

 

Dairson Azambuja Gonçalves

Porto Alegre, 03 Jul 2018